Por que não devemos usar instrumentos musicais na adoração?

Não devemos usar instrumentos musicais na adoração a Deus na Igreja porque o uso de instrumentos musicais na adoração era uma prática da Lei da Antiga Aliança. E nós já não estamos mais debaixo da Lei da Antiga Aliança, mas sob a Graça da Nova Aliança inaugurada por meio da morte e ressurreição de Jesus Cristo:

“Assim, meus irmãos, vocês também morreram para a lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerem a outro, àquele que ressuscitou dos mortos, a fim de que venhamos a dar fruto para Deus.” (Romanos 7:4)

“Antes que viesse esta fé, estávamos sob a custódia da lei, nela encerrados, até que a fé que haveria de vir fosse revelada. Assim, a lei foi o nosso tutor até Cristo, para que fôssemos justificados pela fé. Agora, porém, tendo chegado a fé, já não estamos mais sob o controle do tutor.” (Gálatas 3:23-25)

“Agora, porém, o ministério que Jesus recebeu é superior ao deles, assim como também a aliança da qual ele é mediador é superior à antiga, sendo baseada em promessas superiores. Pois se aquela primeira aliança fosse perfeita, não seria necessário procurar lugar para outra. Deus, porém, achou o povo em falta e disse: ‘Estão chegando os dias, declara o Senhor, quando farei uma nova aliança com a comunidade de Israel e com a comunidade de Judá. Não será como a aliança que fiz com os seus antepassados quando os tomei pela mão para tirá-los do Egito; visto que eles não permaneceram fiéis à minha aliança, eu me afastei deles’, diz o Senhor. ‘Esta é a aliança que farei com a comunidade de Israel depois daqueles dias’, declara o Senhor. ‘Porei minhas leis em suas mentes e as escreverei em seus corações. Serei o Deus deles, e eles serão o meu povo. Ninguém mais ensinará ao seu próximo nem ao seu irmão, dizendo: ‘Conheça ao Senhor’, porque todos eles me conhecerão, desde o menor até o maior. Porque eu lhes perdoarei a maldade e não me lembrarei mais dos seus pecados’. Chamando ‘nova’ esta aliança, ele tornou antiquada a primeira; e o que se torna antiquado e envelhecido, está a ponto de desaparecer. “(Hebreus 8:6-13)

O uso de instrumentos musicais na Antiga Aliança

Na época da Antiga Aliança, a música que agradava a Deus envolvia o uso de vários instrumentos musicais (1 Crônicas 15:16; 16:42; 23:5; 2 Crônicas 7:6; 23:13; 29:26-27; 30:21, 34: 12; Neemias 12:36, Salmos 4:1; 6:1; 54:1; 55:1; 61:1; 67:1; 76:1, Isaías 38:20; Amós 6:5; Habacuque 3:19). Deus tinha exigido esse tipo de adoração: “O rei posicionou os levitas no templo do Senhor, com címbalos, liras e harpas, segundo a prescrição de Davi, de Gade, vidente do rei, e do profeta Natã; isso foi ordenado pelo Senhor, por meio de seus profetas” (2 Crônicas 29:25).

Os salmos dão muito destaque ao uso de instrumentos musicais na adoração a Deus. “Louvem o Senhor com harpa; ofereçam-lhe música com lira de dez cordas. Cantem-lhe uma nova canção; toquem com habilidade ao aclamá-lo” (Salmo 33:2-3). “Então irei ao altar de Deus, a Deus, a fonte da minha plena alegria. Com a harpa te louvarei, ó Deus, meu Deus!” (Salmo 43:4). Existem tantos outros salmos que mostram que os instrumentos musicais eram usados na adoração a Deus no Antigo Testamento. Veja também Salmos 81:2-4; 92:1-3; 147:7 ; 149:3 e 150:3-6.

A adoração na Nova Aliança não tem instrumentos musicais

O Novo Testamento apresenta um forte contraste com a adoração do Antigo Testamento: Não há referências ao uso de música instrumental na adoração do Novo Testamento! Após ler tantos textos que mencionam o uso dos instrumentos musicais no Antigo Testamento, a diferença é marcante e importante. Observe os seguintes textos:

“Por volta da meia-noite, Paulo e Silas estavam orando e cantando hinos a Deus; os outros presos os ouviam.” (Atos 16:25)

“Então, que farei? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento.” (1 Coríntios 14:15)

“Entre vocês há alguém que está sofrendo? Que ele ore. Há alguém que se sente feliz? Que ele cante louvores.” (Tiago 5:13)

O louvor que oferecemos deve ser aquele em que aconselhamos e instruímos uns aos outros: “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração” (Colossenses 3:16). Nenhum instrumento musical mecânico tem condições de instruir. A frase “ensinem e aconselhem-se uns aos outros… cantem salmos, e hinos e cânticos espirituais”, sugere que o canto fosse interativo. O canto devia ser feito com “gratidão” e “de todo o coração”. Através de seus cânticos, os cristãos expressavam sua gratidão incondicional ao Senhor por Sua maravilhosa provisão em salvá-los.

A Escritura diz ainda: “Falando entre si com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando de coração ao Senhor” (Efésios 5:19). Esse texto de Efésios deixa claro qual instrumento deve ser usado: o coração. O Novo Testamento nunca menciona instrumentos mecânicos em relação à adoração de Deus. O escritor de Hebreus resume bem a questão: “Por meio de Jesus, portanto, ofereçamos continuamente a Deus um sacrifício de louvor, que é fruto de lábios que confessam o seu nome” (Hebreus 13:15). Ou seja, o nosso sacrifício de louvor deve ser o “fruto dos lábios”. Se Deus quisesse que os cristãos O louvassem com instrumentos musicais, Ele teria deixado isso claro no Novo Testamento, como fez no Antigo Testamento. Ele teria dito que o sacrifício de louvor deve ser “fruto de instrumentos musicais”. Mas Ele não disse isso. Instrumentos musicais não podem confessar o nome do Senhor. O louvor que Deus aceita é fruto de lábios que confessam o Seu nome.

É importante notar que, apesar de os instrumentos musicais existirem no período do Novo Testamento e até serem mencionados diversas vezes, eles são sempre mencionados ligados a acontecimentos sem relação com o culto (Mateus 9:23; 11:17; Lucas 15:25, etc.). Eles jamais são mencionados em referência à adoração na Igreja.

Nenhuma das referências sobre música na adoração na igreja no Novo Testamento faz qualquer alusão a instrumentos musicais usados pelos cristãos do Novo Testamento para acompanhar o canto.

Na carta aos hebreus aprendemo que os costumes do Antigo Testamento “importados” para a igreja deviam ser abandonados de vez. Ali os judeus convertidos (justamente os que traziam consigo elementos do judaísmo) são exortados a abandonar completamente o antigo culto judaico com todas as suas práticas. Se havia assembleias nos primórdios do cristianismo que estavam adorando como se fosse judaísmo elas estavam completamente erradas.

Nós temos um altar do qual não têm direito de comer os que ministram no tabernáculo. O sumo sacerdote leva sangue de animais até o Santo dos Santos, como oferta pelo pecado, mas os corpos dos animais são queimados fora do acampamento. Assim, Jesus também sofreu fora das portas da cidade, para santificar o povo por meio do seu próprio sangue. Portanto, saiamos até ele, fora do acampamento, suportando a desonra que ele suportou. Pois não temos aqui nenhuma cidade permanente, mas buscamos a que há de vir”. (Hebreus 13:10-14)

Um outro fator que pode ter sido importante para que os primeiros cristãos não usassem instrumentos musicais é que, muitas vezes, os cultos eram feitos às escondidas, devido às perseguições romanas.

É importante entender que nós não estamos mais debaixo da lei do Antigo Testamento (veja Romanos 7:2-4; Efésios 2:14-15; Colossenses 2:14-17; Hebreus 8, etc.). A lei do Antigo Testamento não é a autoridade para nós hoje. Às vezes, as pessoas afirmam que isso não se aplica aos salmos. Mas em João 10:34, Jesus se referiu a Salmo 82:6 como “lei”. Os que recorrem a Davi nos salmos como a autoridade para o uso de instrumentos no culto a Deus jamais se voltam para ele para autorizar a poligamia, o sacrifício de animais, a observância do sábado e das festas judaicas, mas ele fazia tudo isso. Nenhuma parte do Antigo Testamento, a não ser a que se repete no Novo, vale como autoridade para os cristãos hoje.

Devemos também reconhecer a necessidade da autoridade da Bíblia em tudo o que fazemos. Uma vez que as Escrituras nos tornam completos para toda boa obra (2 Timóteo 3:16-17), se alguma coisa não se encontra no Novo Testamento, não é boa obra. O que ultrapassa a doutrina de Cristo é errado (2 João 9).

Toda adoração procede ou da autoridade de Deus ou das ordenanças humanas. Se for proveniente da autoridade de Deus, tem base bíblica para comprová-la. Se não se acha no Novo Testamento, então a adoração procede do homem, e Deus a eliminará (veja Mateus 15:8-9, 13-14). Não podemos dar ao Senhor uma adoração que Ele não pediu, uma adoração que não O glorifica. Isso é um pecado gravíssimo. E vários exemplos no Antigo Testamento comprovam isso: Quando Deus ordenou que o fogo para o altar do incenso fosse trazido de uma determinada fonte e Nadabe e Abiú o trouxeram de uma fonte que Deus não tinha pedido, eles foram queimados com fogo do céu (Levítico 10:1-3). Quando Deus mandou que a arca da aliança fosse transportada nos ombros dos levitas, mas Davi a transportou de um modo não autorizado por Deus, o Senhor o puniu (1 Crônicas 13:8-11). Portanto, devemos tomar o devido cuidado de dar ao Senhor somente a adoração que Ele pediu e nada além disso. E no Novo Testamento, Ele não pediu o uso de instrumentos musicais na adoração.

O ponto chave é que o Novo Testamento não contém a autorização do uso de instrumentos musicais na adoração a Deus. Sem dúvida não se trata de um descuido acidental de Deus, porque quando ele quis que os instrumentos musicais fossem usados durante a época da Antiga Aliança, no Antigo Testamento, Ele o declarou muitas vezes. Mas no Novo Testamento Ele não faz isso. Não há base no Novo Testamento para o uso do instrumento musical na adoração. Por isso, aqueles que respeitam à autorização divina não tocarão instrumentos em adoração a Deus, assim como não oferecerão sacrifícios de animais nem dançarão. Aqueles que hoje desejam utilizar instrumentos musicais no culto devem apresentar um texto no Novo Testamento que o autorize. Se não se puder achar nenhum, respeitemos o silêncio de Deus.

Refutação a argumentos usados para fundamentar o uso de instrumentos musicais

Os salmos

Alguns se utilizam do fato de o Novo Testamento dizer que devemos entoar salmos (Colossenses 3:16) para tentar fundamentar o uso do instrumento musical na adoração cristã. O raciocínio deles é que se temos a ordem de louvar a Deus com salmos e os salmos se referem a instrumentos musicais, então podemos usar instrumentos musicais. Mas Colossenses 3:16 nos diz o que devemos fazer com os salmos, isto é, cantá-los! Colossenses 3:16 não nos autoriza a fazer tudo o que os salmos mencionam. Por exemplo, os salmos ordenam os sacrifícios de animais (Salmos 20:3; 51:18-19; 66:13-15) e a dança para o Senhor (Salmos 150:4). O fato de cantarmos os salmos certamente não nos autoriza a sacrificar animais, nem a praticar a dança religiosa.

Instrumentos musicais usados no Céu

Algumas pessoas tentam justificar o uso de instrumentos musicais no culto cristão dizendo que o livro de Apocalipse mencionar instrumentos como algo existente no céu (veja Apocalipse 5:8; 14:2). Mas é improvável que se trate de instrumentos físicos, dada a natureza espiritual do céu e a natureza simbólica de Apocalipse. Porém, ainda que fossem instrumentos musicais mesmo, isso não autorizaria o uso deles hoje no culto cristão, pois não são passagens ordenando o uso deles na Igreja. Lembre-se que haverá crianças no céu (já que elas não têm pecado), mas isso não autoriza que elas sejam batizadas. A Bíblia também diz haver um altar de incenso no Céu, mas isso sem dúvida não sustenta o uso dele no culto. A Bíblia também diz que não há casamentos no céu (Mateus 22:30), mas não podemos usar isso para fundamentar uma ordem de celibato (1 Timóteo 4:1-3). Os que hoje desejam usar instrumentos musicais no culto, devem mostrar a autorização para usá-los como adoração. Se conseguissem fazê-lo, não haveria necessidade alguma de recorrer ao Antigo Testamento ou ao céu para fundamentar o uso.

A palavra grega em Efésios 5:19

Alguns dizem a palavra grega psallo, traduzida por “louvando” em Efésios 5:19 significa cantar acompanhado de instrumento. Isso não é verdade. Mil anos antes do Novo Testamento ser escrito, a palavra grega psallo significava “dedilhar”. Naquela época era então usada em referência ao instrumento musical. Mas, no período em que o Novo Testamento foi escrito, a palavra simplesmente significava “cantar”. É por isso que quase todas as traduções da Bíblia traduzem a palavra por cantar, louvar ou coisa semelhante. Os melhores e mais confiáveis dicionários gregos também deixam claro que a palavra significava cantar no período do Novo Testamento. Mesmo no antigo grego, na época em que a palavra significava “tocar um instrumento”, o instrumento era sempre citado especificamente no contexto (ou seja, mesmo naquela época não significava tocar se não houvesse menção a nenhum instrumento no contexto). No contexto de Efésios 5, o único “instrumento” é o coração! Podemos dedilhar as cordas de nosso coração enquanto cantamos, mas a palavra psallo não dá autoridade para tocar instrumentos.

Considerações finais

Algumas pessoas afirmam ainda que os instrumentos musicais são meramente uma ajuda ao cântico, mas não de fato um acréscimo à adoração. Porém, no Antigo Testamento, o instrumento era usado especificamente para louvar a Deus, e não apenas para ajudar a cantar. E no Novo Testamento, como já vimos, não é ordenado o uso desses instrumentos na adoração dos cristãos a Deus. O fato é que estamos tratando de dois tipos de música: a vocal e a instrumental. O Antigo Testamento autorizava as duas. Mas o Novo Testamento só autoriza a música vocal.

Outros batem palmas no momento da adoração. Essa prática também não é permitida pelas Escrituras, pois é paralela ao uso de qualquer outra parte do corpo ou dispositivo mecânico que possa ser usado para complementar a música vocal e verbal. Bater palmas, estalar os dedos ou bater ritmicamente no banco é logicamente equivalente ao instrumento mecânico da música – todos os quais carecem de autorização divina no Novo Testamento. Deus autoriza e ordena que os fiéis cantem palavras carregadas de significado e façam música no coração humano (Efésios 5:19; Colossenses 3:16). Os adoradores simplesmente não têm aprovação das Escrituras para adicionar outras formas de acompanhamento/expressão musical.