A simplicidade da Igreja de Atos dos Apóstolos

Depois que ressuscitou dos mortos, Jesus ordenou que Seus discípulos pregassem o Evangelho e batizassem os que cressem:

“Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos.” (Mateus 28:19-20)

“E disse-lhes: “Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.” (Marcos 16:15-16)

Vemos no evangelho de Marcos que Jesus disse que a fé (crer) e o batismo são necessários para a salvação. Quando lemos o Livro de Atos dos Apóstolos, percebemos que os apóstolos levaram essa ordem do Senhor muito a sério. A primeira pregação do evangelho ocorreu em Jerusalém e foi feita pelo apóstolo Pedro. Esse apóstolo pregou o evangelho, acusando os ouvintes de serem culpados pela morte de Jesus:

“Portanto, que todo Israel fique certo disto: Este Jesus, a quem vocês crucificaram, Deus o fez Senhor e Cristo.” (Atos 2:36)

Os seus ouvintes, ao ouvirem isso, ficaram com os corações aflitos e perguntaram o que deveriam fazer para acertar as coisas com Deus:

“Quando ouviram isso, os seus corações ficaram aflitos, e eles perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: ‘Irmãos, que faremos?'” (Atos 2:37)

E Pedro respondeu que eles deveriam se arrepender de seus pecados e receber o batismo para o perdão dos pecados e para receber o dom do Espírito Santo:

“Pedro respondeu: ‘Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos seus pecados, e receberão o dom do Espírito Santo.'” (Atos 2:38)

Isso significa que o batismo é absolutamente necessário para a salvação porque é por meio dele que aquele que crê em Jesus e se arrepende de seus pecados obtém o perdão. Em outro texto, Pedro disse que o batismo salva: “Isso é representado pelo batismo que agora também salva vocês — não a remoção da sujeira do corpo, mas o compromisso de uma boa consciência diante de Deus — por meio da ressurreição de Jesus Cristo, que subiu ao céu e está à direita de Deus; a ele estão sujeitos anjos, autoridades e poderes” (1 Pedro 3:21-22).

Veja outro texto que fala que o batismo é para o perdão dos pecados e para a salvação: O apóstolo Paulo teve um encontro com o Senhor Jesus em Damasco e ficou cego (Atos 9:1-9). Por três dias ele esteve cego (Atos 9:9). O Senhor Jesus mandou Ananias até ele para lhe impor as mãos para que voltasse a ver (Atos 9:10-19). Assim que recuperou a vista, Paulo levantou-se e foi batizado (Atos 9:18). Ananias disse a ele: “E agora, que está esperando? Levante-se, seja batizado e lave os seus pecados, invocando o nome dele” (Atos 22:16). Por que ele foi batizado? Porque creu em Jesus como Senhor e Salvador, se arrependeu de seus pecados e aceitou o batismo para receber o perdão dos pecados.

Quando os ouvintes da pregação de Pedro lá em Jerusalém o ouviram dizer que precisavam se arrepender de seus pecados e receber o batismo para o perdão dos pecados (Atos 2:38), eles foram batizados:

“Os que aceitaram a mensagem foram batizados, e naquele dia houve um acréscimo de cerca de três mil pessoas.” (Atos 2:41)

E o que eles fizeram depois que creram, se arrependeram, confessaram os pecados e se batizaram para receber o perdão dos pecados? Eles passaram a se reunir uns com os outros para se dedicar ao ensino dos apóstolos, para ter comunhão uns com os outros, para partir o pão (isto é, participar da Ceia do Senhor) e para orar:

“Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações.” (Atos 2:42)

Esses Cristãos do século I se reuniam em suas casas (veja Romanos 16:3-5). Eles eram então “cristãos”. Só cristãos, nada mais. Eles não frequentavam uma igreja denominacional e não defendiam placa de igreja, pois não havia igreja denominacional naquela época. A primeira igreja denominacional surgiu no início do século VII d.C.: a Igreja Católica Romana, sob a liderança do primeiro homem a ser chamado universalmente de “papa”, Bonifácio III. Leia mais sobre a origem do Catolicismo aqui: A origem e história do Catolicismo. É isso o que a história nos mostra. No século XVI houve a chamada Reforma Protestante e a partir daí surgiram outras denominações religiosas. E a cada dia surgem novas denominações e placas de igreja. Será que esta é a vontade do Senhor? É claro que não. Se fosse, Ele teria dito. Mas não disse.

Os apóstolos e primeiros cristãos não eram católicos nem protestantes… eram apenas “cristãos”. A igreja de Atos não defendia placa de igreja e nem sequer tinha uma igreja física (prédio) na qual se reunir. Os primeiros cristãos se reuniam em suas casas, pois acreditam que “o Deus que fez o mundo e tudo o que nele há é o Senhor do céu e da terra, e não habita em santuários feitos por mãos humanas” (Atos 17:24). Eles acreditavam ainda que cada um deles era um santuário de Deus e que todos eles reunidos eram o Corpo de Cristo, a Igreja de Jesus (veja 1 Coríntios 3:16; 6:19-20; 12:14-27), pois o próprio Jesus disse, quando afirmou que estabeleceria a Sua igreja, que “onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles” (Mateus 18:20).

É importante notar que os primeiros cristãos levavam a sério a importância de se reunirem para “se dedicar ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações” (Atos 2:42, NVI).

A palavra grega para “dedicar” usada nesse texto é προσκαρτερεω (proskartereo) e significa “perseverar e não desfalecer”, de acordo com o dicionário bíblico Strong (G04342). É por isso que muitas versões traduzem assim: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações” (Atos 2:42, ACF). E, de acordo com o autor da carta aos hebreus, os cristãos batizados devem perseverar para alcançar a salvação. Se não perseverarem, serão destruídos:

“Vocês precisam perseverar, de modo que, quando tiverem feito a vontade de Deus, recebam o que ele prometeu; pois em breve, muito em breve ‘Aquele que vem virá, e não demorará. Mas o meu justo viverá pela fé. E, se retroceder, não me agradarei dele’. Nós, porém, não somos dos que retrocedem e são destruídos, mas dos que creem e são salvos.” (Hebreus 10:36-39)

Isso significa que os cristãos batizados devem perseverar na doutrina/ensino dos apóstolos, na comunhão uns com os outros (ou seja, se reunirem como igreja em nome do Senhor – Mateus 18:20), no partir do pão (isto é, na Ceia do Senhor) e nas orações. Quem não congrega corre o sério risco de apostatar da fé e perder a salvação prometida por Deus: “Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês veem que se aproxima o Dia” (Hebreus 10:25).

Quem deixa de congregar é considerado apóstata. Por isso, devemos congregar. Mas onde? Em qual igreja?

Como a Bíblia não autoriza a criação de nenhuma denominação religiosa e não defende placa de igreja criada por homens, os cristãos devem, obviamente, seguir o exemplo da Igreja de Atos: se reunirem em suas próprias casas (a menos que encontrem uma igreja não-denominacional fiel à Bíblia em sua cidade) e perseverarem no que os apóstolos ensinaram (doutrinas do Novo Testamento), na comunhão com outros cristãos, na Ceia do Senhor e nas orações.

Isso pode parecer estanho para alguém que passou a maior parte da sua vida em uma igreja denominacional. A simplicidade da igreja primitiva e o modo como os primeiros cristãos lá do Livro de Atos realizavam as suas reuniões e práticas pode surpreender quem nunca leu a Bíblia. Mas é isso aí mesmo. O Evangelho é simples. As ordens do Senhor são simples. A Igreja é simples. Foram as denominações criadas pelos homens que tornaram tudo complicado. Se quisermos ser salvos, devemos fazer o que a Bíblia diz:

E você, vai ficar confinado para o resto da vida a uma denominação não aprovada por Deus em vez de fazer somente o que o Senhor ordenou, como a igreja primitiva do Livro de Atos dos Apóstolos fazia?

Leia também: A Ceia do Senhor